Compositor: Não Disponível
Ô, vizinhança, presta atenção
Cheiro estranho na gola da camisa
Recado esquecido, conversa indecisa
Atitude torta, risada sem graça
Fui juntando pista, detetive da própria desgraça
Separei peça por peça, com calma e memória
A do primeiro encontro, a da viagem, a da falsa história
Dobrei lembrança, deixei tudo no chão
Hoje o quintal virou sala de decisão
Não foi impulso, foi conclusão
Quando a verdade chega, não pede permissão
Queimei sua roupa no pátio
Vizinho na janela, eu de cara lavada
O tecido estala, a fumaça sobe alto
Cada faísca é liberdade conquistada
Queimei sua roupa no pátio
Sem escândalo, foi justiça poética
Camisa de marca virou cinzas no chão
E eu respirei, deixei de ser tão cética
Tá-tá-tá!
Estala! Estala!
Lembrei de cada choro engolido no passado
De cada relaxa que eu aceitei calada ao teu lado
Hoje cada chama soltou um nó antigo
Até a bermuda da viagem foi comigo
Moda dele indo embora sem dó nem saudade
Etiqueta famosa perdendo a validade
Quem diria que o armário ia confessar
O que a boca dele nunca quis falar
Quando a conta fecha, não tem volta atrás
O que vira cinza não pesa mais
Queimei sua roupa no pátio
Barulho seco, noite iluminada
O tecido estala, a fumaça sobe alto
Cada faísca é uma página virada
Queimei sua roupa no pátio
Sem drama, foi libertação estética
Camisa de marca virou cinzas no chão
E eu respirei, deixei de ser tão cética
Imagino você chegando, porta aberta, nada no lugar
Armário vazio, desculpa pronta querendo escapar
Pode guardar o discurso, não precisa ensaiar
Hoje quem deu a última fala fui eu, pode anotar
Êê
Queimei sua roupa no pátio (deixei pra trás)
Queimei sua roupa no pátio (não volto mais)
Queimei sua roupa no pátio
O que era peso virou ar
Queimei sua roupa no pátio
E aprendi a me respeitar
Cinza não chama saudade
Boa noite?
Boa noite!